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PalenaDuran


 

Fragmentos, recortes

 

Ela lhe presenteou a dor e o caos. Mas também a paixão e o gozo melado que adormece na pele. Macia, assim a chamava. Tinha olhos voluptuosos na boca promíscua que queria. O que sabia um da voz do outro? Não se sabe por que, um dia ela se calou. Ele não escutou enquanto ela buscava felicidade pelas bordas. Lambeu o que do prato transbordava e imaginava ser a essência, bastava-lhe a tranqüilidade. Pensava ser recheio o suor que chegava com a saliva. Mordiam o tempo, se arranhavam, sussurravam fantasias, juravam como não se ousa mais. Ela se apoiava em sua força, enlaçava os braços em torno de seu pescoço e permitia. Oferecia-se ao que ele conduzia.

 

Mas entre eles havia elas, sempre elas e suas delícias.

 



Escrito por porque escrever é preciso às 13h15
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Coluna SEM INOCÊNCIA

de Palena Duran - às quintas-feiras

 

E de guerra em paz, de paz em guerra...

 

Feito bêbado ele chegava com a língua esparramada entre os dentes. Delicadamente, ela se esquivava de entender. Enquanto ele queria seduzi-la a qualquer custo, até com rosas sem botão compradas numa esquina qualquer, e a clássica caipirinha para 'relaxar' um pouco. Ela só pensava em fugir dali para casa. Mas a amiga estava muito interessada no amigo dele, e tinham combinado ir embora juntas. Não havia como escapar, solidariedade é assim.

Procurou distrair fazendo comentários fora de contexto, como: 'Olha que bonita aquela luminária, confortável essa cadeira (...)'. Subtexto: olhe para outro lugar, fale de outra coisa, por favor. Mas o ébrio mal enxergava, mal escutava. Esforçava-se um pouco para, novamente, voltar a importunar. Nas horas cruciais, ela ia ao banheiro, demorava, rezava para tudo acabar logo e, ao retornar, o contexto piorava.

Resolveu escandalizar, ou aplacar o mal-estar, e pediu uma cachaça. O cara era conservador, de início assustou, ele podia, mas... também 'não era nada sério...'. Em sua cabeça de macho é assim: tem mulher pra namorar e mulher pra trepar. Feito bicho mesmo. Até pensou que com a cachaça a guarda estivesse se desarmando, folgou e, num atentado de intimidade forjada, derrubou suas patas sobre as pernas dela. 'Escuta, não é não', ela disse sorrindo e séria.

A mesa ao lado assistia a cena e dez olhos miravam assustados. Enquanto isso ele insistia, com palavras arrastadas, cuspe voando em seu rosto (no dela): 'Você não tem namorado, não, tua amiga me disse...'. E ela se encolhia na cadeira, feito ponto e vírgula, disfarçando: 'É legal essa música, você gosta de jazz?'. O bar não era boteco, porque se fosse... Ele sairia de lá a tapa. Há um limite de tolerância em botecos, ninguém pode extrapolar, senão cai fora, fora daqui, moleque! As pessoas estão para se divertir e não para serem incomodadas. E não existem argumentos do tipo: 'mas, também, porque ela usa uma mini-saia dessas? É pra mexerem, aposto que quer...'.

 

a continuação em http://banga.zip.net  e/ou www.geracaobooks.com.br



Escrito por porque escrever é preciso às 00h36
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