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Com licença, profissão?
20-09-2006

Faz um tempo longo na madrugada. Acabo de chegar ao escritório, em busca de escrever no silêncio, depois de filmes no ‘vidéo’ e torrentes de um dia ‘de mulher extra-sensível’. Coisas, às confusões bastam claras horas vividas. E, dizem-me, as pessoas querem mais é alegria, romance, passatempo, vias de escape à secura, à rudeza cotidiana. Por favor, XXX, sem pessimismo, discurso panfletário, prolixidades ou incongruências. Ao recordar tais comentários, somados aos pensamentos sobre os programas eleitorais e crises de toda ordem, faria sentido contar a lenda dos camelos que choram, as tempestades no Deserto de Gobi, a falta das íntimas verdades, ou a pouca persistência em fazer soar as cordas do coração...? Sobre o quê escrever?

Consulto meus e-mails e encontro o da Fernanda Emediato, a divulgar um brinde surpresa aos que acessarem as colunas dos escritores deste florido sítio da Geração Editorial. Sem querer adoçar o amargo, porque é ótimo e tem grandes títulos mesmo. Por pouco e muito, ao colo me veio um assunto, a pergunta que não cala: Quando é que, enfim, um escritor se diz escritor? Há quem diga: ‘Basta publicar um livro’. Ou coisas do gênero. Pois então, duvido e muito, mas gosto de conhecer os porquês.

e a continuação em http://www.geracaobooks.com.br/colunistas/colunista.php?id=142 



Escrito por porque escrever é preciso às 23h32
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Porque é terça-feira

brindo minha morte no cristal,

velo dias ímpares

e sangue pisado

nas insônias.

Ninguém escuta

o latejar do asco

na memória retorcida,

lascas desfolhadas

que nada compõem

e ao vazio se deitam.

 

Porque é terça-feira

atiro dardos

no buraco dos pavores,

no espaço das mágoas,

na desordem do futuro.

Sou ruído de bambu,

à ventania

CLAC-CLAC-CLAC

meu tecido se rasga.

Sem inocência

denigro as paredes invisíveis.

 

Porque é terça-feira

de mim nada preciso,

quero furar os olhos

em tiroteio sem mira

e berros de impotência.

Quando já morta,

num labirinto luzidio,

das mãos

teço cortes

dedo por dedo.

Tinta do que fui

Ou poderia.



Escrito por porque escrever é preciso às 14h30
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