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Ph Pya Lima
Desconheço essa saudade que me chega. Sinto medo. Não sei se gostamos mais de nossas fragilidades ou de nossas fortalezas. Não sei se nos queremos ou quisemos pela beleza nos olhos baixos e tristes do momento, pela verdade no choro que naturalmente escorre. Sinto falta da tua presença. Não sei se me falta eu em você, ou o contrário, ou os dois. Não sei se sou melancólica por natureza e a alegria apenas um estado de espírito que me invade e não sustento. Sinto-me insegura. Não sei se meu rio conseguirá te banhar e minhas mãos saberão te esquentar com um leve roçar de dedos nos lábios do olhar. Não sei se meus braços alcançarão teu corpo que vem e vai, ou minha pele cobrirá você inteiro que tanto voa por mistérios e lembranças passadas. Não sei se é esta estação que nos une e depois do outono o inverno fará minha alma rota e encharcada de batalhas silenciadas. Às vezes acho que o sonho acabou e cumpri minha parte na tua travessia, faço-me ponte da tua jornada. Assisto teu caminhar sobre um campo verde em direção ao destino e eu ali parada, bagagem cinza apoiada nas pernas, lançando um adeus solitário e risonho por te saber refeito e certo do que te leva. Não sei a idade desse tempo, embora saiba de lágrimas que não envelhecem. Sinto-me oceano e deserto. Não sei se fico ou me levas, ou o contrário, ou os dois. Sinto sobressaltos por menos saber o que nos faz viver a cada dia.
Escrito por porque escrever é preciso às 19h06
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