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ph Eliana Castanho
Memórias I
Não lembro quando tivemos de ir embora. Tento a todo custo, apertando bem os olhos, e não sei dizer quem encaixotou as coisas da casa. Nem sei de tchau, estamos indo, a gente se vê... Cada alguém era de um país, outros continentes, então se encontrar ‘por lá’ não dava, disso sei. Seriam outras praças, ruas, quartos, escolas, escadas, muros, janelas e portas. Mas eu não sabia tão bem, ou pelo menos não naquele momento. Acho que tinha me esquecido como era isso de ir embora. Às vezes viajávamos, pra perto e longe, mas fazia tempo que voltávamos ao mesmo lugar. Nessa época eu também desconhecia a diferença entre as malas de viagem, apesar de alguns exageros proclamados, porque sabe como é criança, malas eram malas, sempre iguais. E tampouco sabia o que era sempre, onde se escondia esse lugar na imaginação.
SP, 09 de abril
Escrito por porque escrever é preciso às 16h39
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