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Do grito estabeleceu-se o silêncio
rondam murmúrios
abraços desfeitos
e a gente corcunda
e as ruas de passagem
e eles indo e vindo
sem mãos dadas
vestidos de monóxido de carbono
cartazes
vendas de alegria
e o uivo dos motores
oblíqua escuta
Sobre muros intactos
impediram as entradas
dispararam medos
quebraram ossos
permanecem os ofícios
anúncios de bombas
metálicas
'Caro cliente, estamos aprimorando nossos serviços
para melhor atendê-lo'
Ou
paralisamos a liberdade
para esfregar tua cara
no chão manchado
triturar tua essência
senta, finge de morto
cale-se
Escrito por impreciso, porque preciso às 17h04
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Passeio da Sombra NY 2005 by Eliana Castanho
QUANDO DESPONTAS
Nem sei porque esse medo me deixa abafado e não noto tua presença voltando-me o olhar ou teu corpo entregue na cama. Nem sei porque tuas palavras entram e saem como se tudo e nada, desconfio figuras de linguagem, imagino que me enganas mesmo a lacrimejar verdades. Nem sei porque me deixo fraco e raivoso quando inseguro e mais triste me deito comigo distante do que planejava. Porque me assombras dessa maneira, eu que não sou disso, e forte sou sozinho sem descontroles apasionados. Nem sei porque permito fragilidade assim na falta de ar no peito, quando não choro faz anos, e nem deveria ter tempo para sonhar de ti. Porque tanto me incomodam tuas idas e vindas, teus passeios solitários ou entre amigos de toda natureza, e desejo estar livre para gozar a vida que espero virgem de ti. Nem sei porque você me deixa deste jeito, mas não quero ser prisioneiro das miragens ou dono de meias alegrias porque não correspondes às metas ideais de agora. Porque te gosto tanto ao mesmo tempo em que temo sentir mais do que devo, eu que tenho medidas e convicções para os sentimentos em equilíbrio. Nem sei como sinto tua falta no mesmo instante que te quero o mais longe possível pra me edificar, porque me desestruturas e não aceito, porque me feres e não entendo, porque te afastas das minhas maneiras. Como dizer vai embora antes que seja tarde, quando peço que fiques e sigo magoando calado sem conseguir dizer tudo o que a boca encerra? Nem como dizer seja minha, somente minha, quando tua presença é vida e não alcanço todos os raios. Nem sei como reinventar esse tanto quando percebo estar em ti um pedaço desavisado de mim.
Escrito por impreciso, porque preciso às 21h03
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