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Vem agora Vai Se não sei mais Quanto (te) partiste ao dia Largo sem anúncio Afiado num Estranho vizinho De alma e mácula Anda agora Trás gritar Sem te virar Porque ao flagrante Cravejou-se mágoa Implicada Tamanho G-gente escândalo Mais logo Dissolvida Estação curvada Raro encosto Vocifera abafado Nem mais Apenas tanto
Escrito por porque escrever é preciso às 10h53
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PH Avani Stein
in: http://www.imafotogaleria.com.br/galeria/
Novembro é outro. Na esperança de sê-lo, coincidentemente aqui na folha em que escrevo é 1º de maio. E as energias vitais rondam por aí, no trabalho, na labuta da lapidação diária, nessa estranha força de querer. Menos abstrata ou genérica, então, agora repousarei minhas armas inúteis. Vou me harmonizar com a natureza, confiar na semeadura, plantar as idéias, os ideais, em solo terreno. Tudo bem, deixa as quedas na memória sem mágoa.
Adelante, cariño, porque cambia, todo cambia (...). Na segunda noite, a atmosfera noturna cambia. Hay pájaros, periquitos e outros, um rádio distante, o amanhecer refletido na parede azul de uma nova janela. Daqui se reconhecem sons, quisemos, queríamos fugir do ruído e cá estamos. Escuta-se, escutamos. Escuto teu sono desmaiado sobre a cama, imagino a entrega, amo.
Rendo-me, chega de lutas inglórias, indóceis. Basta. Amo-te na pele e na fantasia, confesso o arrepio que me causas. Teus olhos pequenos de cílios desenhados que me atingem fulminantes e aos poucos. Feito a vela aqui defronte, à vela, em navegação. Crisântemos pedem água e tua boca me chama. Começa por aí, no beijar, o intuitivo, o tátil, a oralidade sem alfabeto. O calor preciso na medida do indizível.
Amo simplesmente como desconheço. Nunca antes e sem depois de você. O sino, um anúncio. Anuncio que não mais atiro e, sim, entrego, sem mais fugas, fico contigo.
Palena Duran
leia mais em http://banga.zip.net
Escrito por porque escrever é preciso às 16h03
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Do alto da ladeira
tua gente
mascarada, bêbada,
cansada.
Daqui, nada.
Ou talvez dois pontos
saltitando
nas mãos:
Sim, Não,
Sim.Não.Sim.Não.
Toca o sino
essa ausência que separa
e algema.
coluna SEM INOCÊNCIA em http://banga.zip.net
Escrito por porque escrever é preciso às 19h16
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É que os dramas têm ritmo próprio
Então era fundo e espaçoso. Nada viscoso, mas tampouco límpido. Tudo mudando muito rápido, palavras e fotografias em velocidade para chegar ao mesmo, à comunicação, aos sentimentos, à infância, à juventude, ao amor, à canção de pulsar, diálogos talvez. Também viver a solidão da comunicação. De todas as linguagens visto sombras e fios rompidos. As cartas foram extraviadas no planeta de uma nota só. Vivo de cinema, enquanto alguém estuda cardápios. Lanço pedras num rio qualquer, deito-me com as pernas para o alto. Quem, quando, onde, como? Na parede do quarto - avoar. Uma dose de celebração, por favor. Sei andar pelas calçadas, mas também caminho por ruas, vicinais e trilhas de mato.
“Quantas curvas tem um rio? Quantas camadas têm uma nuvem? Alguém poderá varrer as folhas de uma floresta e dizer ao vento para não sacudir mais as árvores? Quantas folhas um bicho-da-seda tem de comer para fazer um vestido com as cores do passado? Quanta chuva deve cair do céu antes de o oceano transbordar de lágrimas? Quantos anos a lua tem de ter antes que envelheça? (...)”.
Enquanto a chuva mesma aos ouvidos desatentos, de tanto nos buscar pouco nos encontramos, embora os meios de falar, dizer. É preciso ser criança para encontrar o adulto. Mergulhar no silêncio, ora oco ou na plenitude de sons, preenchido – entre ser, estar, ser para estar – e vice-versa. Saber da flor de lótus, nosso branco, a delicadeza tangível.
http://banga.zip.net
Escrito por porque escrever é preciso às 11h00
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Senhora esperança
Quem sabe amanhã nasce outro dia? Parar um pouco, burlar o código da mesmice. O que teima em se infiltrar sem o menor pudor, vindo de dentro e, ultimamente, bastante de fora. Aquilo que nos ocupa e transforma o olhar; quisera não deixar de sentir a leveza do dia ensolarado, o calor daquele abraço. Procurar pousar sobre a paisagem. Mas a vida não tem sentido, conversávamos no domingo. O sentido é viver e fazê-la, de pouco a pouco, de pouco em muito, de muito a pouco, talvez.
Queria encontrar além da noite a esperança, a esperança com seu largo sorriso, ou mesmo que viesse calada e ensimesmada como dá de acontecer, sentir seu bom dia, escutar seu sussurro: ‘hoje algum pedacinho dos sonhos vai acontecer’. A esperança.
E assim devem começar os novos dias, quando for possível ser mais dono da própria vida, primeiro ela se constrói na imaginação, projeção, depois enquanto realização. Menos à deriva, menos transitando pelo não, não, não. Assim também seriam os novos dias. Garantir a dignidade humana, o essencial para manter a espécie.
A noite chega de mãos dadas com uma brisa fria fina límpida. Dá pra enxergar seu percurso e o colorido volátil das sensações, a dor me deixa azul marinho escuro. Sigo assistindo as pessoas sendo e caminhando, embora menos perceptiva para o mundo de fora. A questão, entre várias, é a aflição no universo da vida. Essas coisas que nos ocupam, abatem, sugam e diminuem. Diminuem nossa presença diante de nós mesmos, da solidão, do amor, amante, amado, rebaixa.
De repente um fio referencial - enquanto gente for infinita, o que é de fato, não dá pra ficar assim. A gente quer o melhor da gente, não quer ir para o buraco e nem levar ninguém conosco. É preciso encontrar um espaço para existir como indivíduo, sem se ver achatado, e disso a chance de harmonia na vida coletiva, em coletivo.
Noite me embala insone. Na zanga com a injustiça que é não ter como, quando, aonde, desespero inominável; so deep, with heart and soul. Gostaria de poder determinar o fim, agora e já, de tudo que nos incapacita, aquilo que anestesia ou imobiliza nossa auto-realização, o acontecer da gente.
http://banga.zip.net
www.geracaobooks.com.br
Escrito por porque escrever é preciso às 12h38
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*** amanheceu. Devia ser natural feijoada na quarta em qualquer parte. Depois re-partir o corpo sobre a cama quente, essa aldeia. Mas tenho 30 reais e muitas angústias - até quando? falta só Uma semana pra não cortarem a luz. das idéias. E Se eu correr até morrer de falta, quem sabe adianta. Do avesso, coração. Afinal, morrem todos os dias para outros viverem. É a cadeia da vida. Jaula às vezes sem perfume, cabelo desgrenhado, pele marcada. E a amarga ausência do que se sabe - pode ser doce. Drogas e flores da superstição. Olhos brancos de espaços sem comentários. E os braços pra fora da rede.
coluna SEM INOCÊNCIA - http://banga.zip.net
Escrito por porque escrever é preciso às 12h28
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arte de Erika Engel
Embora ninguém seja inocente e tenhamos perdido a virgindade.
Cá escuto nossas falas cantadas e os gestos loucos que cultivamos de encontros em reencontros. Saiu das idéias, veio em metáforas, quem diria. Sementes de incômodos na inquietude de enxergar a vida. E querer mais, sempre mais, em busca de sentidos e o que nos arrancasse do asfalto chumbo. No caminhar houve quedas, silêncios prolongados, distanciamentos ocultados, mas sempre no horizonte o tal calor. Esse que se nos revela agora no grito pasmo do feito e desfeito. Ofegantes, também atropelamos os minutos pensando se tratar de segundos, mas no desconcerto encontramos esses braços que nos enlaçam. Ora navegar, ora afogar, ora se perder pra ressurgir. E, acima de tudo, bem abaixo do frio, pulsar em tons de harmonia. Jogamos pétalas aos ventos da noite, coramos, brotamos, renascemos as crianças. Coração. Sem esquecer que tem a doce questão da paciência, da presciência que habita nossos r(h)umores.
Escrito por porque escrever é preciso às 12h40
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PADARIA 24 HORAS
Um casal de pés sujos, pretos na sola, pés de quem se atreve a andar descalço pelas ruas ou de quem passou o dia usando chinelos de dedos pra fora na cidade. Parece que tinham saído dos anos setenta - não fosse a pele nova do garoto -, devem ter seus trinta e poucos ou tantos anos, conversam, fazem as pazes. São do tipo que faz yoga, bom alongamento e despreocupados de etiquetas de comportamento. Ela de vestido florido, sentada, um joelho dobrado contra o corpo, calcinha clara à mostra e a outra perna estendida sobre outra cadeira. Olham-se nos olhos, pensam assunto, ele senta-se como um jovem pensador – ‘tipo’ jovens sensíveis que soam pensantes – olhar reflexivo, barba repleta.
Num ímpeto, de repente é macho, beija-a na boca, voraz, levanta-se para acariciá-la. Nesse meio tempo (entre a frase anterior e a ação corajosa) ele tinha ido telefonar, ainda descalço despojado, no orelhão ali em frente - enquanto ela ponderava se trepava ou não trepava, sobrancelhas erguidas encimando olhos bêbados. Aposto que ele não mora só e tenta providenciar uma cama de remédio. Então, voltou o moço-homem cheio de si.
Novo ângulo, agora ele está sentado de pernas cruzadas, lado a lado voltam a conversar sobre o assunto sério depois do telefonema. Ela tem os olhos entorpecidos, torcidos, chorosos talvez, usa uma camisa jeans sobre o vestido - esconde a nudez dos outros, é só pra ele, o menino. Sim, um menino barbudo que precisa levá-la dali e lamber tudo. Beijou os pés sujos, cúmulo do querer dormir junto num transar elástico, deve ser agora que vão embora. Não, ainda não, todavia se seduzem, sorvem cerveja, o néctar de uma noite sem lua. Cabelos sebosos, despenteados, encaracolados, nem curtos, nem longos – ela enterra os dedos no calor dos dele e massagem. Massagem, outro ímpeto. Apresentação de erotismo, ensaio de posições - ele se ajoelha em frente à cadeira (dela), beija-a num beijo de meneios de cabeça, mãos se alisando e também puxando a camiseta pra baixo (escondendo a protuberância da carne).
Prontamente se refez. Voltou à cadeira em posição “à vontade”, pernas abertas, cadeira de frente pra outra, apoiadas sobre as pernas dela. A hora não chegou, e a calcinha é definitivamente dele. Mais macho ainda - porque ela parece enfrentar certo pudor, ou faz um número de vergonha - ele a agarra trazendo-a para seu colo em tesão pronunciado. As mesas ao lado se alvoroçam, nem é tão tarde ou meia noite, porém certos habitantes condenam a volúpia explícita; ao mesmo tempo em que tudo vêem e quase mordem os copos de vidro à boca...
De olhos fechados ela se tranqüiliza, como se não fosse ela mesma a mulher, então abre pupilas escuras escondendo o rosto no riso de menina, e sagaz encenando a fala... Devem estar falando sobre movimento quando ela abaixa as mangas da camisa sacudindo os ombros como dançarina de metade do corpo na metade dele.
Cena final: preliminares ao cubo, cadeira com cadeira, um de frente para o outro - ele acende um cigarro, precisa de fôlego e mais cerveja, parece a primeira noite de uma terça-feira...
E assim os deixo, sem haver chegado hora ou luz na rua.
Palena Duran
(2001)
Escrito por porque escrever é preciso às 11h40
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Apesar das lindas tardes
É desonesto esse estar. Embora o jogo entre Brasil e Uruguai, Copa América na Venezuela - lá, onde há notícias - por las calles no pasa nada de extra-ordinário. Talvez pelo pouco estardalhaço causado pela mídia, essa apatia, tanto faz futebol, mendigo, senadores corruptos, desemprego e tal. O jornal que me chega em casa nem traz aviso de jogo algum, horários, essas coisas que deveria. Notícias. Ainda não sei muito bem por que, mas continuo me aventurando por jogos da seleção. A gente sempre busca e quer mais dos sentimentos, ou não.
continua em
http://www.geracaobooks.com.br/colunistas/colunista.php?id=299
e http://banga.zip.net
Escrito por porque escrever é preciso às 13h44
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coluna SEM INOCÊNCIA
O infalível - em http://banga.zip.net
‘... É mais além, é mais além
Um pouco de exagero não é nada demais
Um olho nas estrelas outro olho aqui:
O astrônomo lunático
Brincando com o sol
Descobre que a distância
É mais do que um cálculo
É mais, é mais, é mais além...’
Mais Além
(Lenine, Bráulio Tavares, Lula Queiroga e Ivan Santos)
Escrito por porque escrever é preciso às 12h54
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...em minha coluna na Geração Editorial (é só clicar no link abaixo)
'Em nome de'
http://www.geracaobooks.com.br/colunistas/colunista.php?id=282
Escrito por porque escrever é preciso às 16h07
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De volta (?!)

É com muita admiração e alegria que venho anunciar meu texto publicado na revista S/Nº, editada por Bob Wolfenson e Helio Hara. A mesma pode ser encontrada - para deleites vários, sem dúvida - na FNAC, em SP.
Acima então a capa da revista, bela, bela, e o escrito logo abaixo...
bezzos & abraços...
Lágrimas não envelhecem
Parece que foi numa dessas noites agudas e sedentas de suor na língua. Gotejar para umedecer o deserto, sim, banhar-se em águas renascentes, lançar-se à natureza – em busca - e expelir o mofo envolto em esperanças. Porque a memória veste o hábito de recordar o que nem sabia perceber, de repente engasga em cada lembrança. Na sala, na feira, aos tropeços nos cantos ou em meio aos bichos soltos da cidade em eterna re-construção.
Ela se apaixona pela espontaneidade no dom de chorar o gosto de mundo novo. De tão singulares que podemos ser, o pranto é só nosso nas impressões invisíveis. Então pra quê mirar-se em espelhos quando o de dentro não cria reflexos? Porque temos apetite de sonhos, que acabasse o pranto de guerras e sangue - balbuciou.
Ao mesmo tempo confusões, trapaças em horários amalucados, estações de metrô erradas, jornais em hemorragia e as coisas caindo sobre as coisas por onde se segue. Ao fundo das miragens há Caravaggio, a cavalaria napoleônica, o Tema de Lara, e talvez algum esquecimento oportuno. Como também ácidos néons, buzinas, britadeiras, motores, gente sofrendo, suando. Gente que ocupa os sentimentos da gente, ora regozijo ou cansaço depois de longa espera, ora assombro feito a Medusa com serpentes à cabeça.
Sem censura, confessa que o amor é contrário ao pudor - sua sobrevivência é obscena em solo de pragas. A dialética diria: o amor se veste de si em sentidos acesos, pleno, e depois se converte no desconhecido. Seria agridoce a angústia? E lágrimas, mares ou rios incidentes? Ela procura sentir o paladar dos sentimentos, e acha que no tempo em que tudo tiver nomes haverá mais receitas para se chorar, imagina.
Embora culpas, reclamos e bobagens tenham uma febre de linguagem que pinça as retinas, interessa-lhe a pele, tatear as cicatrizes, ousar risos desgovernados, recostar lábios sobre lábios. Então aperta os olhos, inventa, aquieta na beira da praia para ver o mar beijar os lábios da terra e lamenta o pranto silente. Gotas que não verte à toa.
Por isso às vezes endurece para não cair como a penitente Madalena, abandonada na cadeira, desalinhada, colares de pérolas ao chão e um líquido incerto aos pés. E nos íntimos segredos, sem mais veneno, percorre serenidades. Porém, quanto de insanidade ou lucidez nos cabe? Não saberia desfazer o enigma ou os movimentos místicos, pois sempre existe o que nos ultrapassa.
A questão é que ela anda a precisar do gosto das lágrimas, nem que seja um doce choramingo. Jura que guardará o próximo chorinho dentro de um vidro, em cristal de emoções, só pra degustar em horas assim. De lavar a alma, de saudade das mãos enlaçadas, do olhar repousado, do cheiro do corpo na boca de quem se enreda no sal da terra, 'pra vida de gente levar...'.
Palena Duran
Escrito por porque escrever é preciso às 18h51
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Ph Cristiano Mascaro
Bom dia, amor
E um gosto de até breve. Amanhecemos na claridade em canto de outono. Conheço essa brisa, sinto o cheiro do passado e não interessam as chaves ou agora como está. Resta esse gosto de ontem, ante anteontem buscamos o mesmo amarelo pra sair do frio na sombra. Hoje na estrada avento que nada mais interessa. Tenho as minas gerais de saudade antiga e a estação primeira no coração quente do Brasil. Salva-dor. Quero os nomes das coisas, mas só sei sentir. Água de colônia no pescoço; olho no olho escuro da cama morna.
agora de volta... mais textos no www.geracaobooks.com.br e http://banga.zip.net
Escrito por porque escrever é preciso às 19h17
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Foto Dominika Debska
Lo unico que tengo
(Isabel Parra/int. Isabel Parra)
Quien me iba a decir a mi como me iba a imaginar si yo no tengo un lugar. Si yo no tengo un lugar en la tierra. Y mis manos son lo unico que tengo y mis manos son mi amor y mi sustento.
No hay casa donde llegar mi paire y mi maire estan mas lejos de este barrial. Mas lejos de este barrial que una estrella. Y mis manos son lo unico que tengo y mis manos son mi amor y mi sustento.
Quien me iba a decir a mi que yo me iba a enamorar cuando no tengo un lugar. Cuando no tengo un lugar en la tierra. Y mis manos son lo unico que tengo y mis manos son mi amor y mi sustento.
Escrito por porque escrever é preciso às 00h58
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Dois cigarros
Um de pensar
No outro te fumar
Não tinha tanto calor. Quando ele chegou. Segui como se segue ultimamente, meio caindo, meio levantando. À procura de descanso e algum dinheiro pra viver. Quando ele chegou amoroso. Comigo algo diferente, sabe, segredos e vontades em desejos menos afoitos, embora amar de amor seja a meta, inquieta meta. Quero subverter as vírgulas, cambiar as pausas, trazer água onde já se banha, cantar de ser, ser, ser.
Por que agora sinto tamanha falta dele nos fragmentos do corpo? Ocupo-me de ontem, nosso jeito, nossas confusões, certezas, vôos... Chego ao tabuleiro de xadrez entre nós, ‘se você me ama, se concentra’, olhamo-nos, paqueramo-nos, brincamos, conversamos... Ah, se o mundo parasse seria nessa janela! O que ele fez em mim de alguns dias pra cá? Ou teria sido eu também a escancarar todos os espaços? Sim, gosto dele, tanto que tenho coisas espremidas em mim. Saudade é dessemelhante.
Pra brincar um pouco com ela e me esparramar sem dor neste silêncio da casa, resolvi beber água tônica num copo enorme de chope... mas não consigo sair dessa compressão dos afetos. ‘Só queria estar com você e dormir mais em você’. Tentei dançar no banho, cantar e relaxar disso em aquilo. Lembrar e esquecer e sonhar sem dor. Mas fui ferida e agraciada nesta hora de amar. Gosto de te saber por perto, nem precisa ser comigo, mas preciso cheirar teu sabor nas redondezas. E acho que te pressinto, assisto teu andar de sorriso e seriedade na flauta, na falta. Imagino tuas mãos, escuto tua voz na minha boca, vejo teus olhos no meu ontem. Ado(u)ro-nos juntos, quero-te.
Escrito por porque escrever é preciso às 17h56
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